Pensando em política…

Bruno Arantes

Pensava em política naquele setedesetembrodedoismiledez. Por acaso, política.

Esta foto faz parte de uma série: http://www.flickr.com/photos/44640954@N03/sets/72157624794009759/

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Cronopersiana

Andrés R. Marín

“Tua sombra espera atrás de toda luz”

Andrés R. Marín

I’m coming, Virginia

Andrés R. Marín

Protegido por la ventana el paralelepípedo musgoso oliente a vodka y a velas de cera, a ropa mojada y a restos de guiso […]  sede del Club, sillas de caña, reposeras desteñidas, pedazos de lápices y alambre por el suelo, lechuza embalsamada con la mitad de la cabeza podrida, un tema vulgar, mal tocado, un disco viejo con un áspero fondo de púa, un raspar crujir crepitar incesantes, un saxo lamentable que en alguna noche del 28 ó 29 había tocado como con miedo de perderse, sostenido por una percusión de colegio de señoritas, un piano cualquiera. Pero después venía una guitarra incisiva que parecía anunciar el paso a otra cosa, y de pronto […] una corneta se desgajó del resto y dejó caer las dos primeras notas del tema, apoyandose en ellas como en un trampolín. Bix dio el salto en pleno corazón, el claro dibujo se inscribió en el silencio con un lujo de zarpazo” (Julio Cortázar – fragmento de Rayuela,  cap. X)

Piegas

Bruno Arantes

“As fotos criam o belo e – ao longo de gerações de fotógrafos – o esgotam. Certas glórias da natureza, por exemplo, foram simplesmente entregues a infatigável atenção de amadores aficionados da câmera. Pessoas saturadas de imagens tendem a achar piegas os pores-do-sol; agora, infelizmente, eles se parecem demais com fotos.”

(Sontag, S. Sobre Fotografia. São Paulo: Cia das Letras, 2004. pp 101-2)

Mingus! Mingus! Mingus!

Parte final da apresentação de Charles Mingus no Montreux Jazz Festival de 1975. Músicos convidados, Benny Bailey (t) e Gerry Mulligan (bs) somam-se ao quinteto inicial e emprestam brilhantes interpretações a dois temas: Goodbye Pork Pie Hat (C. Mingus) e Take the “A” Train (B. Strayhorn). Sem mais palavras.

A foto saiu fora de foco

Bruno Arantes

Um cronópio vai abrir a porta da rua e ao enfiar a mão no bolso para pegar a chave o que tira é uma caixa de fósforos; então este cronópio fica muito aflito e começa a pensar que se em vez da chave ele encontra os fósforos, seria terrível que o mundo se houvesse deslocado de repente, e então se os fósforos estão no lugar da chave, pode acontecer que ele ache a carteira de dinheiro cheia de fósforos, e o açucareiro cheio de dinheiro, e o piano cheio de açúcar, e o catálogo do telefone cheio de música, e o armário cheio de assinantes, e a cama cheia de roupas, e as jarras cheias de lençóis, e os bondes cheios de rosas, e os campos cheios de bondes. Assim este cronópio fica horrivelmente aflito e corre para se olhar no espelho, mas como o espelho está um pouco de lado, o que ele enxerga é o porta-guarda-chuvas do vestíbulo, e suas desconfianças se confirmam e ele desata a soluçar, cai de joelhos e junta suas mãozinhas nem sabe para quê. Os famas vizinhos acodem para consolá-lo, e também as esperanças, mas passa-se muito tempo antes de que o cronópio saia de seu desespero e aceite uma xícara de chá, que olha e examina muito antes de beber, não vá acontecer que em lugar de uma xícara de chá seja um formigueiro ou um livro de Samuel Smiles.

(Cortázar, J. A foto saiu fora de foco. In: Histórias de Cronópios e Famas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972. pp 135-36)